9 de junho de 2026 · Mikhail Vasiliev

Nexus Devlog: o cosmos de Ptolomeu e o gerador de sistemas estelares

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No último mês fiz duas novas simulações com o motor Nexus. As duas são sobre o espaço, mas resolvem coisas diferentes: o cosmos de Ptolomeu tem a ver com o conteúdo, e o gerador de sistemas estelares tem a ver com a geração em si. Vou falar de cada uma.

O cosmos de Ptolomeu

A primeira é o cosmos de Ptolomeu, o modelo geocêntrico grego do céu. Era mais ou menos assim que imaginavam o Universo na Antiguidade e na Idade Média. A Terra fica no centro, e os planetas giram à sua volta. Ptolomeu não sabia o que havia além de Saturno, e as estrelas distantes eram tidas como imóveis, fixas numa esfera comum. Para os gregos, os planetas não eram apenas astros luminosos, mas deuses. Sem telescópio, não dá para distingui-los das estrelas, só que eles se moviam pelo céu - e por isso eram chamados de estrelas errantes.

O cosmos de Ptolomeu: a Terra no centro, com a Lua, o Sol e os planetas em círculos à sua volta, e as constelações na borda

Na simulação dá para clicar em tudo e ver como os antigos gregos enxergavam o céu: as características dos astros, o número de estrelas em cada constelação, os mitos ligados a elas. As constelações clássicas são 48, e com o tempo foram surgindo mais. Para o motor, o que importa é que o conteúdo pode ser qualquer um - não só científico, mas também, por exemplo, sobre deuses.

Uma das constelações está destacada - ao lado dá para ver quantas estrelas ela tem e o mito ligado a ela

O gerador de sistemas estelares

A segunda simulação já não tem a ver com conteúdo, e sim com uma melhoria séria do motor. Aqui dá para escolher estrelas de tamanhos e massas diferentes: desde anãs marrons, as menores, mais ou menos do tamanho de Júpiter, até gigantes da classe O, as maiores estrelas do Universo. As anãs têm sistemas pequenos e frios, e mesmo nos planetas mais próximos a temperatura média fica em torno de menos 35. Numa estrela da classe O, os mundos são grandes e muito quentes, chegando a três mil graus. E numa estrela como o nosso Sol pode aparecer um exoplaneta onde a vida já surgiu. A cada vez o sistema sai diferente, e assim por diante, sem fim.

Um sistema estelar gerado aleatoriamente: uma estrela no centro, planetas em suas órbitas e cinturões de asteroides

Não são só os tamanhos e as temperaturas que são gerados, mas também os anéis, os minerais e as demais características - e tudo isso é próximo da ciência e ligado entre si. Por exemplo, se um planeta tem muitos minerais, é por causa de uma geologia ativa: vulcanismo e tectônica, que por sua vez sofreram influência da estrela. Ou seja, tudo está interligado. Acertar todas essas propriedades e suas combinações acabou sendo o trabalho mais difícil desta etapa, tive que entender bem cada coisa. Em compensação, agora não é preciso montar o sistema na mão - o motor o constrói sozinho, a partir de regras ligadas entre si. Pelo mesmo caminho dá para gerar mais adiante não só estrelas, mas mundos inteiros.

As propriedades do planeta selecionado estão abertas - massa, temperatura, minerais e anéis

Uma simulação dessas pode servir para gêneros variados: estratégias espaciais, viagens num cenário de ficção científica, enfim, para jogos futuros. E também só como uma coisa de divulgação científica.

Planos

No lado do espaço já foi feita bastante coisa - gráficos, geração, quase metade de um jogo. Então penso em seguir agora na direção das mecânicas de jogo: acrescentar estratégia, distribuição de trabalhadores e coisas assim. Ou seja, deixar o motor mais perto de um motor de jogo completo.

As duas simulações estão no site - dá para experimentá-las na seção Simulações. Mais sobre o motor e os planos na seção Nexus.